Ora bem, eu já tinha lido sobre esta iniciativa. Mas vamos lá opinar sobre ela, no estilo Powerpoint com pontinhos e isso:
Intro: É uma marcha que visa protestar contra aqueles (começou por uns polícias no Canadá) que dizem para as mulheres não andarem vestidas de putas, porque aumenta a probabilidade de serem violadas. Para isso, marcham pelas ruas da cidade vestidas de... err... putas e com o slogan: "NÃO é sempre NÃO. Quando é SIM, não há ambiguidades ou dúvidas porque sabemos o que queremos e sabemos ser claras"
- A polícia também diz para se meter o carro na garagem para diminuir a probabilidade de ser roubado; para não andar sozinho em zonas obscuras para não sermos assaltados, etc... ou seja, o no prevenir é que está o ganho. Não vejo razão para tanta merdinha.
- Falam tanto que querem ser vistas pelo que são, contra o machismo e mais não sei o quê, no entanto vão marchar de modo a serem avaliadas como meros objectos sexuais. O ridículo de quererem mostrar que não são X, vestindo-se como X...
Acho muito bem que protestem contra o que quiserem, mas desta maneira?
- Se saírem à noite, vão ver que quase todos os dias (noites) há uma Slut Walk não organizada e involuntária pelas ruas da capital. Chamam-se "pitas de hoje em dia". Não era necessário marcar data.
- Essa parte do "Não é sempre Não" aparentemente só é válida quando se fala dos homens do dia a dia (nós). Com os gajos da Anatomia de Grey e essas séries dedicadas ao gajedo, com os quais vocês nos comparam, o Não quer dizer que Talvez Sim e nós, os normais, somos estúpidos por achar que, de facto, é não.
E se há coisa que as mulheres são, é claras. Sem dúvida. Clarinhas como um dia de nevoeiro.
Não estou aqui a defender nada nem ninguém, muito menos o flagelo e esse crime horrendo que é a violação.
Mas diga-se, eu não vou para a Damaia com um relógio de ouro, um pda todo xpto, ténis da moda, portátil à mostra, etc...
Os violadores são pessoas dementes e há que não facilitar e potenciar a sua panca.
Qualquer gajo gosta de ver uma mulher bem vestida e provocadora. Mas há situações e ocasiões para tudo e há que ter noção.
E tenho de salientar a piada e hipocrisia da coisa. Querem ser respeitadas, mas não se dão ao respeito.Dizem que somos machistas, mas metem-se a jeito. Não querem ser vistas como putas, mas vestem-se como tal. Querem ser livres e activas sexualmente com quem desejarem, mas depois querem ser vistas como virgens. Não generalizando, claro.
É esta a clareza que falam?
ps: já sei que vou ouvir cenas do tipo: "Com que então não posso andar vestida como quero que sou logo rotulada de puta e ando a provocar violadores?"
Se achas isto, claramente não percebeste nada do que escrevi em cima.
cumps















5 comments e tal:
As pitas fazem-me uma impressão...
Nas zonas da noite da cena portam-se como mulheres irresponsáveis, quando muitas rondam os 13/15 anos.
Várias vezes vi pitas a dançar (vulgo, abanarem-se feitas porcas) em frente a gajos quase com idade para ser pai delas e a puxá-los para ir 'dançar'.
Depois muitas admiram-se ser vistas só como um corpo.
Juizinho...
Ai Nuno,escusavas de analisar a marcha das galdérias!
Em primeiro lugar a manifestação é muito retrógrada,em seguida não tem efeito e por último ninguém leva isto a sério.
Era bom que caísse uma bomba e morressem todas,foda-se não há paciência para tanta birra!!!
Nuno essa foi péssima, pior que a da Ellen. Isto porque eu fui à marcha e, pelo pouco que me conheces, já deves ter percebido que eu trabalho com os Direitos das Mulheres. O propósito desta marcha foi demonstrar que podemos vestir-nos exactamente como bem entendermos. E se eu quiser ir nua para a rua, ninguém tem rigorosamente nada a ver com isso. A ideia é que a lei não deve dizer para prevenir, a lei deve ensinar os homens a respeitar a mulher. Porque isto é uma questão clara de desigualdade de género, de sexo, de educação, de forças. Porque numa situação de violação, uma mulher não terá força para se defender, e o homem usa essa vantagem. A nossa sociedade ainda educa os homens como tendo a força e eu podia dar-te aqui um paleio enorme, não tivesse eu feito uma tese de pós-graduação focada na desigualdade de género e não fizesse parte de uma Organização que trabalhada exactamente nisto.
E só para tu perceberes, ser violada não é exactamente o mesmo que ir à Damaia com um relógio de ouro e estou mesmo a pedi-las.
No outro dia, aqui em Oeiras, numa festa, eu sai mais cedo porque estava cansada. Estava uma noite de verão brutal e eu estava de saia e calmamente comecei a dirigir-me para o meu carro, que estava um pouco longe mas estava em Oeiras, sentia-me tranquila. A dada altura percebo que estou a ser seguida, eram 3 gajos, começaram com conversas do "estás de saia, mesmo a jeito", começaram a puxar-me e a tentar agarrar-me, e eu sabia que algo me ia acontecer se não agisse. A coisa que fiz foi mandar um berro, puxar a minha mala, dar um pontapé ao que estava a puxar-me a saia e desatei a correr pela marginal fora. Eles só não fizeram nada porque estava no meio da marginal e havia carros por todo o lado, se fosse uma zona mais tranquila, provavelmente tinham ido atrás de mim. Agora, a culpa é minha? porque estava de saia? Eu estava numa rua em Oeiras, à beira da marginal, e a tentar atravessar porque o meu carro estava do outro lado da marginal. Havia carros por todo o lado e mesmo assim ousaram abordar-me e em tentar meter-se comigo. Porque estava de saia? porque sou mulher? porque estava sozinha? tenho todo e qualquer direito a andar sozinha, de saia, nua ou como me apetecer.
Os homens têm claramente de mudar a sua mentalidade, e isto é uma sociedade inteira que tem de mudar. Falar de roubo de relógio ou telemóveis não é a mesma coisa que falar de violações só porque a mulher é mais fraca.
Isto roça o mais fundo da desigualdade de género e foi exactamente neste ponto que se focou a Marcha: a mulher pode vestir o que quiser, andar sozinha, nua, de saia, calções, bikini e tem o direito de se sentir em segurança na sua própria pele, sem se sentir ameaçada que por mostrar um pouco mais pele vai dar a entender que quer ser violada.
É isto Nuninho. E tens de ter muito cuidado quando fazes estas abordagens porque se te apetecer andar nu na rua nunca irás sentir medo da tua própria pele. Os homens não sentem o seu corpo ameaçado como a mulher, e isto é o mais puro exemplo de uma gritante desigualdade de género que ainda está demasiado patente na nossa sociedade.
Concordo contigo parcialmente.
Mas o meu post foi dirigido à slut walk em si e não à luta sobre liberdade de andar como se quiser.
Quanto à tua situação, sabendo como são os dias de hoje, se eu estivesse lá provavelmente oferecia-me para te acompanhar ao carro. Não porque estavas de saia, mas porque há gente doente e que não bate bem, como comprovaste.
O que tentei dizer no post é que há situações que podem ser passíveis de arranjar problemas. Não deveria ser assim, mas infelizmente temos de pensar mais à frente e que nem toda a gente é "boa".
Não que estejas errada em usares o que quiseres (o que até acho bem), mas sabemos de antemão que age como chamariz para mentes doentes. Está errado, mas é a verdade.
Mas isso sou eu que, por ex, quando estou a passear com a minha namorada, evito passar por locais "pouco seguros". Deveria poder passar por onde quisesse com ela, mas hoje em dia não é bem assim.
Ok, o feminismo realmente não faz sentido. Um homem também não pode andar nú. A sociedade limita, de inúmeras formas e situações o que se deve ou não vestir, seja homem ou mulher. O que existe sim são comportamentos de risco. E independentemente de uma mulher ter o direito de se vestir de forma apelativa, tem que ter consciência do risco que corre, porque é impossível mudar a forma de agir e pensar de todos os homens. Uma mulher é e sempre será, mais fraca fisicamente, não é a sociedade que educa os homens a pensar que são mais fortes. São. Ponto. A igualdade das mulheres é em termos de direitos sociais e humanos, não é um conceito para ser levado à letra. Devem reivindicar uma melhor educação por parte dos pais, por forma a gerar menos delinquentes? Claro, em todos os aspectos. E não só as mulheres, todos deviamos lutar por isso. Mas lutar pelo direito a usar vestuário estudado para atrair homens, mas só atrair homens decentes, é simplesmente estúpido.
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